sábado, 13 de agosto de 2011

100KM PRAIA GRANDE

Diferente de outras provas onde eu sempre contava onde e quando seria minha próxima aventura, resolvi ficar quietinho, pois havia prometido a minha família dar um tempo nas corridas para me recuperar.
Afinal de contas estávamos somente em março de 2011, e eu já havia corrido duas provas de montanha, uma de 153k em janeiro e outra 80k em março, com apenas um mês de descanso resolvi tentar mais uma vez e me inscrevi secretamente nos 100k de Praia Grande, uma prova que prometia, pois iria ser a minha primeira vez em uma pista de atletismo.
Quando faltava somente uma semana para a corrida, contei para a minha esposa, estávamos muito felizes, porque tínhamos acabado de descobrir que seríamos pais. Ela falou que confiava em mim e que se eu sentia que podia correr os 100k devia ir em frente.
No dia da prova , 17 de abril, um domingo de muito sol fui sozinho com uma geladeira térmica para Praia Grande, abri um guarda sol, uma cadeira de praia em volta da pista, mas não havia ninguém para me apoiar. Dada a largada e após algumas voltas, meu amigo e fisioterapeuta Atef Yassin apareceu na pista, o que me deu um ânimo a mais. Eu estava me sentindo ótimo, e sabia que iria bem até o fim, fiquei segurando o ritmo enquanto os atletas mais fortes davam voltas em cima de mim.
O tempo foi passando, a temperatura na casa dos 35 graus, comecou a fezer efeito nos competidores e a minha estratégia estava dando certo, comecei a recuperar, me hidratava com o glicodry que tinha levado, com água de coco, coca-cola, comia macarrão instantâneo e muito vezes me molhava com a esponja, pois também estava sentindo o calor, mas, como economizei no início, fui ultrapassando um a um e ficando mais forte conforme as horas passavam. E mesmo com somente 60, 70% do meu vigor físico, consegui fechar em 7º lugar no geral, 1º na categoria. Uma vitória inesquecível. Mais uma dica, estratégia é fundamental. Abraços.

50 MILHAS DECATLHON

Disputar uma corrida de longa distância, não é uma tarefa muito difícil, mas exige muita disciplina, treino e acima de tudo força de vontade. Viver do esporte neste país, isso sim é complicado, bem, mas vamos deixar isto para lá. Eu trabalho 6h por dia, o que me dá tempo de sobra ou mais ou menos para treinar, consigo correr todos os dias e isso é uma dádiva, então Deus, muito obrigado.
Teoricamente recuperado da BR 135, fui para Campinas disputar uma 50 milhas ou 80k
de montanha da Decathlon, mas, ironicamente na noite anterior a prova, tive mais um vez problemas estomacais, com vomitos e diarreias, eu não conseguia acreditar, só consegui dormir as 3h da manhã para acordar as 5h, desistir eu não ia, Vamos em frente, fui para a largada já reestabelecido, consegui correr 30km entre os primeiros, mas cai na real, eu estava fraco e não conseguia me recuperar, comecei a vomitar novamente, e a refletir o que eu estava fazendo ali, será que não era exagero da minha parte?
Bem, já que eu estava ali, iria até o final, E fui sendo ultrapassado por diversos atletas. Consegui terminar em 17º lugar com 10h 38 minutos, 3 horas a mais do que eu queria.
Alguns dias depois como não melhorava, fui ao médico e descobri que tinha sido vítima de uma virose muito forte. Uma dica, escutem o seu corpo, ele fala. Abraços.

BR 135 2011

Em janeiro de 2011, apenas quatro meses apos disputar a Spartathlon na Grécia, fui tentar a minha terceira participação na ultramaratona Brazil 135. As duas ultimas edições de 2009 e 2010, consegui finalizar em 11º lugar, com os tempos de 39h em 2009 e 37h no ano seguinte.
Fui para abaixar bem o meu tempo, independente de colocação. Essa era minha meta, me acompanharam mais uma vez, o Paulo Tavares, cinegrafista e piloto, porque lá é um verdadeiro rally, o José Roberto, apoio e pacer, e a Soraya Serrão, apoio e esposa.
Estava muito confiante e tranquilo, a previsão era de muita chuva, mas a realidade foi bem diferente, desde o momento da largada fez um calor com sol muito forte, não me incomodei porque eu estava treinando todos os dias no calor, mas não contava que a minha hidratação não seria adequada para a temperatura que fazia, mesmo assim estava muito adiantado em relação ao tempo da edição anterior, quase 3 horas mais rápido.
Por volta de 9h da noite eu já tinha corrido 100km detalhe somente em montanhas, e muito calor. Duas horas depois parei para comer em um restaurante da estrada onde existe um posto de controle, Inconfidentes. Como já não estava muito bem, comecei a passar muito mal, caimbras e vomitos, descansei uns 15 minutos e resolvi continuar, com muita dificuldade chegamos a Borda da Mata umas 4h da manhã, mesmo fraco ainda estava 3h mais rápido.
E saímos eu e o Zé Roberto em direção a Tocos do Moji, muita subida e o mal estar não passava, nada parava na minha barriga, até a água e vomitava, consegui me arrastar muito fraco até Tocos, E mesmo terrivelmente cansado ainda cheguei 2h mais rapido que o ano de 2010. Mas, infelizmente não dava mais, conversei com a equipe e com a minha esposa e decidimos parar não acontecer algo pior, paciência, fica para uma próxima vez, encerrei no km 153 com 25 horas de prova. Dói, mas a saúde vem primeiro lugar. Logo mais tem mais. Abraços.